Festival Mundial de Publicidade de Gramado

Por Andressa Martins

 

O 16º Festival Mundial de Publicidade de Gramado com o tema central “A criatividade à frente das novas tecnologias” respirou criatividade nos dias 13, 14 e 15 de junho na serra gaúcha com uma série de palestras de conteúdo, a premiação do Galo de Gramado e vários eventos paralelos interessantes. Para quem acompanha o festival desde as suas primeiras edições, não fica difícil perceber o crescimento desse que é considerado o maior evento do setor na América Latina e o segundo maior evento de publicidade do mundo, perdendo apenas para o Festival de Cannes.

Neste ano foram inscritas 3072 peças, envolvendo 383 agências de propaganda do Brasil, países latino-americanos, europeus e asiáticos. Este ano o Festival elegeu o Centro de Eventos Serra Park, local grande, com espaço suficiente para acolher os mais de 5 mil participantes inscritos.

A abertura contou com a presença dos governadores Yeda Crusius (RS), Roberto Requião (PR), e do governador em exercício de Santa Catarina, Leonel Pavan. Na solenidade foi entregue a Medalha Maurício Sirotsky Sobrinho a seis personalidades e placas de reconhecimento a 27 publicitários latino-americanos. O patrono do festival, o publicitário Roberto Duailibi, da DPZ/Brasil, proferiu a conferência inaugural dizendo “Dediquei meu passado para a construção do meu futuro”. Para Dualibi, a função da publicidade é tirar as pessoas de seus invólucros, de suas amarras e levá-las a assumir atitudes com relação a vida. Duailibi presidiu por duas vezes a Associação Brasileira de Agências de Propaganda (Abap) e, com sua agência, criou ícones como o garoto-propaganda da Bombril, o baixinho da Kaiser e o franguinho da Sadia.

O desafio de mais um sucesso do João Firme e companhia foi superado. Por falar em João Firme, ele circulava muito contente pela enorme feira que ocorria paralelamente, carregando exemplares do seu livro “Causas e Concausas da Vida de um Comunicador”, que conta a trajetória do Joãozinho desde os tempos de Santa Rosa onde nasceu e se criou, até à chegada à Porto Alegre, onde iria se formar como Técnico em Contabilidade, Jornalista, RP e Advogado. Mas, foi como publicitário que ele fez o que poucos fizeram na história da comunicação no RS, no Brasil e a partir deste festival, já podemos dizer que também no mundo. Um João que é, antes de mais nada, uma grande figura humana, merecedor de todas as homenagens e reconhecimento dos amigos, muitos deles presentes no livro através de depoimentos emocionados.

As palestras mais concorridas foram dos publicitários japoneses da Dentsu; do designer Hans Donner; do presidente da África Comunicação, Nizan Guanaes; do presidente da Borghierh Lowe/Brasil, Ehr Ray, além de outras.

Os Japoneses apresentaram o cenário da TV digital no Japão no painel “A tecnologia da TV Digital Japonesa”. Ken Aihara, executivo de mídia da Dentsu,  disse que neste momento a TV Digital está penetrando em Tokyo e no segundo momento será espalhada por todo território japonês. “A penetração é pela venda de aparelhos”, comentou. Mesmo com a venda alta de LCD e plasmas, o grande entrave é que as pessoas usem de fato a interatividade e que apreciem o que está sendo feito pelos anunciantes, ou seja, uma mudança de hábitos dos consumidores. A partir de 24 de julho de 2011 o governo japonês vai encerrar a transmissão analógica, que será substituída por uma transmissão totalmente digital. Atualmente há cerca de 100 milhões de pessoas recebendo o sinal e 20% já estão no sistema digital. Segundo Noriyuki Shutto, um dos Diretores Executivos da Dentsu, haverá mudança grande na publicidade. Atualmente, no Japão ainda não há geração de receita proveniente de ações de interatividade. “A comunicação local é cada vez mais importante”, disse. Shutto critica o modelo de agência atual. “Tem de parar de copiar idéias importadas dos Estados Unidos e criar suas próprias idéias. Propaganda é um negócio local. O Brasil, por exemplo, já tem uma identidade própria e é preciso desenvolver mais”, criticou.

A última palestra do evento foi de Nizan Guanaes. Durante a palestra, o criativo falou sobre sua trajetória profissional e apontou os diferenciais da empresa, considerada pelos anunciantes a melhor agência do país. Também usou frases que foram destaque como “Dizer que a Internet é tudo, é um modismo idiota. O rádio é muito melhor.” ; “O que vai permanecer, independente da tecnologia, é a qualidade do trabalho.” e “Quem não escreve bem e não lê não tem cabeça para produzir idéias alguma com qualquer tecnologia.”

Paralelamente ao auditório principal, aconteceram workshops. Com 300 lugares, o local ficou pequeno para o número de interessados em assistir a palestras como a “Criação: quem tem foco não tem medo” apresentada pelo publicitário Stalimir Vieira. Stalimir fez uma crítica contundente ao despreparo dos profissionais que hoje ocupam postos-chave em departamentos de marketing e da pobreza intelectual dos criativos que têm se candidatado ao mercado. A incapacidade de escrever com clareza, segundo Stalimir, é a raiz de todos os problemas que vivenciamos no cotidiano das agências.

A Memória da Propaganda também marcou presença dentro da 3ª Mostra de Design e Artes Gráficas Latino-Americana, mostrando a história do desenho animado na propaganda. Entre uma palestra e outra, o público circulava pela Feira da Comunicação que contou com 30 expositores e a participação de grandes empresas de comunicação como RBS, Rede Record / Correio do Povo, Rede Pampa, Jornal do Comércio, Editora Referência e outras.

Aproveitando o barulho do Festival a Rede Record fez a sua entrada oficial no mercado gaúcho na primeira noite do evento, durante jantar no Hotel Laje de Pedra, do qual participaram a governadora do estado, profissionais e executivos de agências de propaganda, anunciantes e imprensa. Durante seu discurso, Yeda Crusius saudou o grupo paulista que chega a um Estado “especial, com características todas próprias, com o maior Índice de Desenvolvimento Humano, maior taxa de alfabetização, leitura de jornais e uma série de outros indicadores”. A vinda da Record é extremamente importante para termos mais informação, mais opiniões e, principalmente, por levar o nosso Estado para todo o Brasil e também para o mundo”, avaliou Yeda. O presidente da Rede Record, Alexandre Raposo, e todos os seus executivos no RS reiteraram a intenção e os planos de investimentos pesados nos veículos adquiridos da Caldas Jr. e não deixaram de exclamar que a empresa vem pronta para "fazer o melhor" e brigar pela liderança no estado gaucho.

Fazendo uma avaliação ao final do evento, acompanhado do secretário-geral da Alap e um dos idealizadores do festival, João Firme de Oliveira, o presidente desta edição Airton Rocha, conclui: “Nestes três dias, Gramado foi a capital da propaganda brasileira”. Rocha acrescentou que o festival atingiu todos os objetivos, do conteúdo dos debates ao envolvimento dos profissionais e estudantes do setor. “O festival foi muito produtivo para mostrar os caminhos e como as novas tecnologias vão impactar no nosso negócio”, afirmou, referindo-se, principalmente à expectativa pela chegada da TV Digital.

O 16º Festival Mundial de Publicidade de Gramado foi fechado com chave de Ouro, contou com a representação de países como Chile, Rússia, Japão, Portugal, França, Espanha, México, Argentina, Paraguai, Uruguai, Colômbia, África, Angola e Moçambique, além do Brasil. Ficaram grandes expectativas para a edição extra que será realizada na cidade do México em 2008.